Insider: Leandrinho muito perto de Franca

De acordo com o que apurou o Projeto Café Belgrado, o ala-armador Leandro Barbosa, o Leandrinho, está muito perto de ser anunciado por Franca, atual vice-campeão paulista de basquete.

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28ª escolha do Draft de 2003 e com 14 temporadas na principal liga de basquete do Mundo, Leandrinho não conseguiu nenhum contrato na elite do basquete nos Estados Unidos, em uma temporada marcada pela forte presença de jovens talentos. Para se ter uma ideia da renovação pela qual passa a NBA, 33 calouros estão jogando médias de mais de 10 minutos por partida, tornando a disputa por vagas na liga ainda mais acirrada.

Segundo fontes, o anúncio poderia ser feito nos próximos dias, realizando um dos desejos de Paulo Skaf,  presidente da Fiesp, que tem sido atuante na montagem do supertime francano patrocinado pelo Sesi para a temporada.

A derrota na final do Paulista para uma equipe de menor orçamento deixou claro que, embora forte, o time de Franca ainda está longe de ser imbatível. Além disso, o forte elenco apresentado pelo Vasco, que conquistou com sobras o título da Copa Avianca, também sinalizou que o time francano precisa se reforçar se quiser se impor como força dominante no campeonato que se iniciou neste último sábado.

Leandrinho tem nome e mercado no Velho Continente e em outros cenários de basquete alternativo, como por exemplo, o mundo asiático, que sempre está disposto a contratar atletas com passagem na liga americana. No entanto, o jogador deve repetir a escolha das outras vezes que ficou sem vínculos com a NBA, quando o ala-armador paulista preferiu continuar no Brasil.

Em 2011, em meio ao locaute da NBA, quando vários atletas da NBA preferiram acertar com equipes do Velho Continente, Leandrinho preferiu ficar no Rio de Janeiro, onde defendeu o Flamengo.  Na temporada 2013/2014, após uma grave lesão, o atleta outra vez preferiu o mercado brasileiro, acertando com o Pinheiros onde ficou cerca de dois meses.

Somando estas duas passagens pelo NBB, Leandrinho acumulou 14 jogos, e médias de 20 pontos, 3.5 assistências, 3 rebotes em 33 minutos de média, chutando excelentes 45% para 3 pontos.

Com 34 anos, é difícil saber qual o poder de fogo do jogador. Na última temporada da NBA, defendendo o Phoenix Suns, Leandrinho atuou apenas 14 minutos por jogo, e ainda assim contribuiu com 6 pontos de média. Ajustada a uma projeção de 36 minutos, seu rendimento não é ruim: 15 pontos por jogo na principal liga de basquete do mundo. No ano passado, nas Olimpíadas de 2016, Leandrinho apresentou um jogo irregular, mas ainda assim foi um jogador determinante para o sistema ofensivo de Rubén Magnano, anotando médias de 12 pontos por jogo (destaque para a partida contra a Lituânia, quando anotou 21 pontos).

É sem dúvida um jogador de outro patamar e, se anunciado por Franca, deve encorpar o sistema ofensivo do time que mostrou bastante dificuldade de se impor contra uma defesa física como a apresentada pelo Paulistano de Gustavo de Conti. Por isso, a ansiedade na torcida e na direção francana é grande.

 

 

 

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Links para ouvir no navegador:

1º Episódio – Quem é o Neymar da NBA

2º Episódio – O novo Oklahoma City Thunder

3º Episódio – Os (nossos) Melhores Rookies da Temporada

4º Episódio – League Pass e seus precursores

5º Episódio – O Phoenix Suns da Era Nash

6º Episódio – Primeiras Impressões do Leste da NBA

7º Episódio – Primeiras Impressões do Oeste da NBA

 

Links para download dos episódios do Podcast Café Belgrado:

1º Episódio – Quem é o Neymar da NBA

2º Episódio – O novo Oklahoma City Thunder

3º Episódio – Os (nossos) Melhores Rookies da Temporada

4º Episódio – League Pass e seus precursores

5º Episódio – O Phoenix Suns da Era Nash

6º Episódio – Primeiras Impressões do Leste da NBA

7º Episódio – Primeiras Impressões do Oeste da NBA

 

Michael Jordan e o jogo 7 que nunca veio, por Rômulo Mendonça

Há quatro anos, como editor do finado Basketeria, organizei um especial sobre os 50 anos de Michael Jordan. Na época, Rômulo Mendonça escreveu sobre o maior de todos. Aproveitando a ocasião do lendário jogador dos Bulls e o fato de que o arquivo do nosso site virou poeira digital, ressuscito aquele grande texto de Rômulo.

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Sempre quis ver Michael Jordan em ação num derradeiro e dramático jogo 7 das finais da NBA. Isso nunca aconteceu. A sua genialidade e frieza sempre foram um iceberg nas minhas pretensões de estender até o máximo a série final. Era um desejo contido meu, um desejo silencioso que sempre se frustrou desde o início da dinastia dos Bulls nos anos 90.

Eu confesso que era muito tonto em 1991. Um projeto de gente que não se interessou pelo confronto entre Lakers e Bulls que passava na Bandeirantes numa noite fria de inverno no interior de Minas. Mas apesar dessa nota lamentável algo misterioso aconteceu em meio aquela ignorância imberbe. Poucos meses depois eu já era o que poderiam chamar de “mendigo mirim”. Uma criança de dez anos em busca de todas as migalhas que a tv aberta oferecesse contendo a sigla NBA em seus ingredientes.

Tudo era devidamente gravado no possante videocassete lá de casa. Muitos clipes, muitas edições do NBA Action e alguns compactos marotos. Uma edição fúnebre do Jornal Nacional anunciando o HIV de Magic Johnson também faz parte da coletânea. Lembro de Cid Moreira Sergio Chapelin portando foices imaginárias enquanto decretavam o apocalipse do armador dos Lakers.

Essa era a realidade. NBA com Jordan, ainda com o ocaso de Bird, mas sem Magic. Não era a maneira mais ideal de começar a acompanhar a liga, mas os meses seguintes reservariam momentos como o All Star Game de Orlando; os minutos finais com Magic primeiro desafiando Isiah Thomas e depois Jordan. Isiah arremessou um air ball, Jordan encontrou o aro. Lamentei. Queria que Jordan tivesse feito a cesta, mesmo sabendo que o dia era de Magic, de homenagens a ele e a mais ninguém. Era um claro indício.

Um indício de que já sabia que não valia a pena torcer contra Michael Jordan em nenhuma ocasião. Mesmo que movido pelo desejo inocente do Jogo 7, o jogo dos sonhos, a partida que se encerraria no segundo overtime com um arremesso de Jordan em meio a olhares perplexos de agonia e de êxtase…um cenário de ilusão que por algumas vezes esteve próximo, como em 1992 com o Portland Trail Blazers.

O Portland de Drexler, Porter, Kersey e cia esteve impecável no jogo 6 das finais de 92. Encerrou o terceiro quarto com uma vantagem de 15 pontos em pleno Chicago Stadium. Em vão. Phil Jackson colocou os reservas em quadra e os bancários iniciaram uma reação surreal. Michael Jordan no banco se materializou em Stacey King .

Michael interpretava uma cheerleader clutch enquanto seus poderes se manifestavam nas mãos de King e BJ Armstrong. Scottie Pippen era um condutor de minutos desprovidos de lógica. Com o empate iminente, Jordan voltou à quadra e comandou as ações em meio a uma atmosfera de campeonato já conquistado. Nada de jogo 7. Em seu lugar, o gesto eternizado no jogo 1 após uma sequência perfeita de arremessos. Apenas férias em Barcelona num horizonte próximo.

Michael Jordan dos Jogos Olímpicos foi um autêntico turista yankee. Algumas enterradas intercaladas por uma postura altamente blasé para seus padrões de absurda competitividade. Todo o elenco foi tomado de uma inspiração lúdica globetrotter durante todo o torneio, com exceção de Charles Barkley, que, aparentemente, fez de Barcelona o palco para o início de sua pré-temporada como novo membro do Phoenix Suns. Jordan e Barkley, um ano depois, se encontrariam em mais um jogo 6 derradeiro e intrigante pelas finais de 1993.

Agora em Phoenix, com os Suns liderando por 4 pontos restando 40 segundos no jogo 6. Numa sequência trivial, o fraco e esquentadinho Frank Johnson erra o arremesso, Jordan apanha o rebote e avança toda a quadra para uma bandeja em seu playground particular. A genialidade que paralisa, que mortifica, que teve sua explosão nos mais de 50 pontos do jogo 4 daquela série. Os Suns desmoronam. John Paxson arremessa uma histórica bola de três,Horace Grant desarma Kevin Johnson.

O campeonato acaba no deserto do Arizona. Jordan e o Chicago Bulls mais uma vez chutavam os traseiros dos adversários e de quem ousasse desejar o tal jogo 7 nas finais.

Assim também foi nos três outros campeonatos. Antes disso o assassinato do pai, o vício em cassinos, a aposentadoria bombástica, a aventura no beisebol, o retorno com a número 45, o desarme recheado de provocação de Nick Anderson, a derrota nos playoffs para o Orlando Magic, os dois campeonatos do Houston de Hakeem Olajuwon, um Jordan contestado, mas nunca frágil.

Novos desafios se apresentavam como uma avalanche. Com eles chegavam novos companheiros , futuros grandes recordes, uma nova dinastia. A intensidade que Jordan impôs para finalmente superar os bad boys de Detroit e iniciar o primeiro tricampeonato ou para engolir os Knicks de Pat Ewing ao longo das temporadas serviria de inspiração para este novo momento dentro da NBA. Tudo aconteceu. O retorno da 23. As 72 vitórias da temporada 1995-96, a vitória incontestável contra Seattle, numa série em que Jordan esteve distante de seu ápice técnico, mas se apresentou como o comandante supremo da equipe, em especial, o cara que domava Dennis Rodman , o verme insano que por sua vez enlouquecia o pobre Frank Brickowski, morimbundo pivô dos Supersonics.

O dobermann alado que voava nos anos 80 para conquistar torneios de enterradas, protagonizar movimentos acrobáticos e lançar modelos de tênis tinha sofrido uma metamorfose. O Jordan dos últimos três títulos permanecia o xodó da Nike, um fenômeno comercial, mas em quadra exibia uma faceta ainda mais cerebral. Seguia decisivo, “clutch”, como sempre foi, desde os tempos de North Carolina, passando por duelos contra Craig Ehlo em Cleveland. Mas agora ele dosava mais seu jogo, era mais minimalista, envolvia mais seus colegas de equipe, se reservava para capítulos mais épicos, em especial, o jogo 5 das finais de 1997 contra o Utah Jazz. O jogo da febre, o desempenho que encerrou moralmente mais um campeonato, a quinta conquista, o quase esgotamento do que ainda perseguir e alcançar.

Como ato derradeiro, o sexto campeonato. Vencer o Indiana Pacers do técnico Larry Bird e de Reggie Miller apenas no jogo….7 (!) da Conferência Leste com Kukoc inspirado e avançar para enfrentar novamente o Utah Jazz de Stockton e Malone, mas dessa vez sem a vantagem do mando de quadra. Um roteiro perfeito, o ambiente mais ruidoso e hostil da liga, o jogo 6, um desarme em Malone, culminado com a cena clássica do último arremesso contra Bryon Russell, pobre jogador que encontrou o ostracismo após ousar um nada recomendável trash talk com Jordan ao longo da série.

Tudo acabou. A NBA como num involuntário sinal de lamento e melancolia ainda encarou um período de greve e uma temporada seguinte mutilada sem festividades e brilho. Jordan ainda voltou anos depois pelo Washington Wizards. Eu gostei, isso lhe permitiu mais uns recordes de longevidade e ainda garantiu o talvez último All Star Game divertido da história, o seu último em 2003. Os disparates como dirigente do Charlotte Bobcats eu me permito ignorar.

Não houve carreira mais rica e genial na história dos esportes. O jovem esguio que ganhou força física sem afetar sua mobilidade enquanto decifrava os elementos do jogo como nunca antes alguém havia ousado. A lacuna do jogo 7 das finais eu guardo comigo, mas sem rancor, sou só gratidão ao maior atleta de todos os tempos, o mais completo e decisivo da história, ídolo de infância e adolescência, o inigualável Michael Jordan. Agora um cinquentão.

 

Rômulo Mendonça é narrador dos canais ESPN e um fanático pelo basquete.

 

PS: Entre tantos jogos, a partida contra o Boston Celtics no jogo 2 dos playoffs de 1986 merece citação. São 63 pontos de pura excelência física e técnica (ele tinha marcado 41 no jogo 1).

 

Julien, o brasileiro francês que brilha na Europa

Recebi uma ótima notícia neste final de semana. Boa ao ponto de eu retomar este espaço para repartir com meus bravos e fiéis leitores: meu amigo Julien Martin acaba de ser eleito o melhor técnico de categoria de base da França.

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Não é pouca coisa se nos lembrarmos que trata-se de um centro de basquete absolutamente consolidado no Velho Continente, famoso pela formação de novos talentos geração após geração.

Julien, francês de nascimento e criação, formado pelo fabuloso projeto de desenvolvimento esportivo daquele país, veio morar no Brasil em 2008 para acompanhar sua esposa, a capixaba Maria Renata. 11694864_10156008681255001_7448395587081539122_n

Neste período nos tornamos amigos e pude ver de perto o trabalho que ele desenvolveu no Saldanha da Gama de caráter absolutamente voluntário – na verdade, não raras vezes, Julien tirou dinheiro do bolso ou utilizou de favores de outros amigos para dar aos meninos de Vitória a condição de um treinamento adequado.

Em 2013 Julien voltou para França para voltar a se dedicar à sua profissão e em pouco tempo, já recolocou a carreira nos trilhos. Na última offseason, foi auxiliar técnico do Los Angeles Clippers na Summer League e este ano botou o Pau-Orthez na liderança da liga francesa na base. Além disso, Julien desempenha o papel de auxiliar técnico no time adulto.

Para quem o conheceu, não é surpresa. Ávido por conhecimento, apaixonado por basquete e extremamente trabalhador, Julien ensinou quem estivesse disposto a aprender – como eu e outros amigos próximos, que vimos o belo trabalho que desenvolveu por aqui.

Deste lado do Atlântico, dedico a ele e sua esposa, Renata, a melhor vida e o máximo sucesso. Além disso, lamento o fato de que o basquete brasileiro tenha tido à disposição um talento deste tamanho e não utilizado. Não foi por falta de disponibilidade e de interesse em ajudar.

 

Duda: Tá tudo assim, tão diferente

Depois de muito tempo sem ver NBB, me dediquei a observar os dois jogos da rodada de ontem.

Gostei de muita coisa, de verdade.

Havia público nos ginásios, o que a gente sabe, nunca foi comum. Havia transmissão de dois jogos seguidos – um deles por stream gratuito (!), o que pra nós, fãs de basquete, era mais um sonho distante.  Houve inclusive dois times do Nordeste fazendo grandes jogos. Bem emocionante, em algum sentido.

Algumas coisas seguem lá: as arbitragens estranhas, as mudanças táticas preguiçosas (as defesas zonas jogadas por aqui são muito ruins, mas funcionam porque os ataques também respondem à essa opção de maneira preguiçosa),  entre outras irritações particulares que prefiro não externar.

E havia o Duda. O Duda segue o mesmo, mas mais ou menos diferente. Duda virou meio playermaker. Assustei. Ele toma a bola e arma o jogo – e dá umas assistências meio estranhas, mas que são relativamente bonitas e funciona. Duda tenta e (as vezes) mata aquelas bolas sinistras da linha Stephen Curry, coisa que ele já fazia na época do Flamengo. Erra mais que acerta, mas acerta algumas vezes importantes. Duda também faz aquelas infiltrações inconsequentes que começam sem saber direito onde vão terminar. Mas sejamos sinceros: Duda é um jogador bem melhor do que eu lembrava – o que me pôs a perguntar a mim mesmo se antigamente eu não tinha certa implicância com ele.

Acho que não, acho que ele melhorou mesmo, vai saber. Sair do Flamengo, da sombra do irmão, pode ter lhe feito bem. Se reinventar. Não vou ensaiar uma explicação de psicanálise de boteco. Bial faz certas coisas com as pessoas: elas jogam melhor com ele, isso rola mesmo. Fato é que ele me pareceu o melhor jogador do Basquete Cearense, que faz belíssima campanha.

 

 

O que tem pra hoje?

Sexta-feira costuma ser um dia nobre para o basquete em qualquer lugar do mundo.

Na NBA, hoje, menos, porque começa o All-Star Weekend. Em tese, seria uma grande atração, mas pouca gente que gosta de basquete ainda se interessa por isso. Deve ser divertido para quem vive o dia a dia da liga, os jornalistas que podem cobrir o evento, os atletas que podem festar e encontrar os camaradas. Pro hardcore fã que curte League Pass, é só sinal de que teremos alguns dias sem jogo decente.

Pelo menos o ponto positivo é que o pós-All Star Game sempre é muito emocionante: negociações que estavam travadas desemperram, times que estavam tentando ainda buscar os playoffs desistem e começam a dar espaço para os jovens, times que estavam travados se organizam e conseguem jogar melhor.

Minha expectativa pra esse All-Star Weekend é: nenhuma. Se acontecer alguma coisa divertida, meus amigos me avisarão e corro pra ver – na hora ou depois, no Youtube.

Na Euroliga, o dia é de rodada grande, com os jogos da última fase do primeiro turno do Top 16. Trocando em miúdos, significa que ainda há uma porção de times muito bons. Hoje tem três jogos de querer ver: Barcelona x Zalgiris – os dois em péssima fase, Panathinaikos x Efes – os dois ganharam 3 e perderam 3 –  e o que acho que será o melhor, CSKA x Olympiacos.

Ninguém transmite e se você quiser ver, terá que assinar o League Pass europeu – o que recomendo, porque a qualidade dos jogos e das transmissões é ótima.

No NBB, dois jogos bons pra se ver: às 19h, Mogi recebe o caos baiano do Vitória, em casa. Vai passar no site da Liga ao vivo e na faixa. Não vi nenhum jogo do rubro-negro essa temporada, então não vou mentir fazendo nenhum tipo de comentário. Mais tarde, às 21h, no Sportv, o Brasília recebe o Ceará em duelo de topo da tabela. Vai ser melhor que o jogo dos novatos da NBA, acho.

Nessa época do ano sempre tive muito envolvido com NCAA, mas a verdade é que nesta temporada estou totalmente por fora. Como o March Madness se aproxima, vou fazer o dever de casa antes de sair falando besteira por aí.

Monstruoso Isaiah Thomas

É verdade que o grande sucesso do Boston Celtics nessa atual temporada se ergue pela mente do brilhante comandante Brad Stevens e sua ampla rotação, repleta de jogadores dispostos a abrir mão do protagonismo e fazer o coletivo brilhar.

Atual terceiro lugar no Leste (32-23), os Celtics estão atrás apenas Cleveland e Toronto, uma grande reconstrução para uma franquia que até pouco tempo perdeu seus principais jogadores e anunciou uma refundação total. Vale lembrar que, por isso, os verdes ainda têm as escolhas dos Nets para os próximos anos.

No entanto, em meio a um elenco profundo e solidário, uma peça se destaca de maneira alucinante: o armador Isaiah Thomas, de 1,75m, que depois de passar pelo Sacramento Kings e o Phoenix Suns, encontrou seu melhor momento na carreira pelo time mais tradicional da costa Atlântica estadunidense.

Ontem, o armador destruiu o Los Angeles Clippers, levando a melhor contra Chris Paul em um duelo particularmente emocionante que só terminou na prorrogação. Abaixo, um clip com suas empolgantes jogadas ajuda a explicar porque esse baixinho se tornou uma das figuras mais relevantes da atual temporada da NBA – ainda que, não frequentemente, tenha sua importância subestimada.

PS 1: A rodada de hoje tem apenas dois jogos: Washington x Milwaukee e New Orleans x Oklahoma City Thunder. E amanhã começa o All-Star Weekend. Não dá pra empolgar não.

PS 2: Sinto saudade dos posts do nepoblog. Volta Nepop.

PS 3: Assisti o documentário da ESPN sobre o ouro argentino em Atenas. Reviver aquela geração de 2002-2004, que foi responsável por eu ter começado a escrever sobre o jogo, me deixou comovido e me fez lembrar porque eu gostava tanto de fazer isso aqui.

Clutch Deryk

 

Deryk virou jogador. Aos 21 anos, o armador que deixou Limeira para brilhar em Brasília se tornou inegavelmente o jogador mais promissor em atividade no país.

Ao meu ver, o armador tem chances reais de ser convocado para as Olimpíadas para a terceira vaga da posição. Claro que há uma série de candidatos para o posto (Huertas e Raul são as duas primeiras escolhas óbvias), mas Deryk é jovem, promissor e cresce nos momentos decisivos.

Fiquei particularmente impressionado com a postura do garoto nos minutos finais das partidas internacionais do Brasília na atual temporada. Não há equivalente em sua idade e em nível de competitividade entre os jogadores nacionais na atualidade.

Como uma homenagem a este jovem que acompanho há muito tempo – e sempre tive ótimas impressões – recordo de dois lances decisivos dele que o Youtube ainda nos reserva:

  1. Final da Liga Sul-Americana no buzzer-beater.

2) Tiro decisivo que levou o Brasil sub-18 a vencer o Canadá de Andrew Wiggins, Trey Lyles e Tyler Ennis na semifinal Copa América da categoria. (Essa filmada pelas minhas trêmulas e empolgadas mãos).

Equilíbrio da Premier League é resultado do fracasso, não do sucesso das potências inglesas

 

Se tornou lugar comum elogiar a qualidade e a organização da Premier League, provavelmente o campeonato nacional de futebol mais interessante da atualidade. As contratações milionárias que recheiam elencos repletos de jogadores de todas as seleções relevantes do mundo, as cotas astronômicas de direitos de transmissão, o sucesso dos estádios sempre cheios, as admiráveis transmissões em HD com gráficos dos mais tecnológicos e, sobretudo, um relativo equilíbrio entre as forças menores e as potências, dão a impressão de estarmos acompanhando o que há de mais moderno e desenvolvido no esporte mundial.

A atual temporada, aliás, parece particularmente saborosa se comparada à monotonia de outras ligas europeias como a espanhola e alemã, decididas desde o princípio pelo domínio de suas potências. A ascensão de forças como Leicester e Crystal Palace entre os cinco primeiros e o frustrante rendimento com elencos milionários como do Manchester United, Liverpool e principalmente do Chelsea, reforçam o argumento do mérito do equilíbrio daqueles que situam a rica liga britânica como o mais relevante campeonato nacional do mundo – algo que pouca gente séria hoje teria coragem de discordar.

No entanto, se é verdade que há uma série de elementos que situam a Premier League como um empreendimento bem-sucedido na arte da imprevisibilidade, boa parte deste ‘sucesso’ é resultado de um fracasso retumbante, fruto de uma série de contratações desastradas e suspeitas, muitas delas apostas malfadadas dos endinheirados e pouco competentes dirigentes dos times da famosa ilha europeia.

De acordo com o Transfermarkt , site inglês dedicado à análise do valor de transferência dos jogadores do futebol atual, a soma de todos os elencos da Premier League resulta em 4,26 bilhões de euros, um bilhão e meio a mais que a da La Liga, o segundo campeonato com elencos mais valiosos do mundo. A divisão, como se sabe, é mais equânime: dos dez clubes mais caros do mundo, cinco são ingleses: Chelsea, City, Arsenal, Manchester United e Liverpool.

A questão, porém, não está propriamente na presença de dinheiro, mas na análise de como ele tem sido gasto. Não é nem o caso de trazer à tona o exemplo do Leicester, o exótico atual líder que é avaliado em 100 milhões de euros – o quinto mais barato de toda a liga , mas pensar que apesar desta imensa capacidade de investimento, as equipes inglesas não têm tido capacidade de encontrar ou atrair os principais nomes do futebol mundial.

cristianoronaldomanchesterunitedvligaagqq0kkv2balÉ um dado relevante e que não pode ser ignorado o fato de que a única vez que a liga inglesa teve um melhor do mundo da FIFA foi Cristiano Ronaldo, em 2008. Além dele, neste século, apenas David Beckham, Thierry Henry, Frank Lampard e, exoticamente, Fernando Torres, estiveram entre os três finalistas do prêmio – que é aqui menos uma honraria definitiva e mais um parâmetro. Ainda mais sério que isso parece ser notar que nas últimas três listas dos 23 melhores do mundo, a Premier League, com toda sua exuberância, nunca tenha conseguido emplacar mais que cinco nomes .

Há de se tomar pelo menos dois cuidados em uma análise baseada no valor de mercado dos atletas: o primeiro, o fato de que boa parte desses valores se sustentam em bases muito pouco objetivas e que inúmeras vezes são maculadas pelos interesses mais duvidosos; o segundo, o de que a projeção de evolução de atletas é relativamente incerta e adquirem maior valor quando acabam por render em bom nível nos gigantes que os contrataram. Isso é especialmente relevante nessa discussão porque atletas gerados nas próprias categorias de base – ou que chegaram muito jovens nos clubes – tiveram custos de transferências quase nulos se comparados aos investimentos deste ou daquele clube.

Com isso, queremos afirmar que a ausência dos principais jogadores do mundo no futebol inglês se deve, de um lado, à falta de acerto na garimpagem, manutenção e desenvolvimento dos melhores jovens talentos de um lado e, do outro, nas quantias exorbitantes gastas em jogadores que não estão na elite do futebol mundial.

Comecemos pelo caso do Chelsea, com o já citado Fernando Torres, contratação mais cara da história da equipe, tendo custado, em 2011, 58,5 milhões de euros. Se é verdade que foi o espanhol o responsável por um dos gols mais relevantes da história do clube na semifinal da Champions League contra o Barcelona em 2012, o artilheiro espanhol nunca justificou o inacreditável preço por ele pago. Quatro anos depois, a posição de centroavante estaria novamente vaga e foi preenchida por Diego Costa, que vinha de excelente temporada no Atlético Madrid: o preço pela aquisição? Igualmente inacreditáveis 38 milhões de euros.

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Mais absurdo que as somas pagas por centroavantes de recursos técnicos bastante questionáveis são as contratações de coadjuvantes. Se somarmos as contratações de William, meia brasileiro que estava na Rússia, Pedro, o eterno décimo-segundo jogador do Barcelona e Juan Cuadrado, habilidoso e aguerrido meia colombiano com boa carreira na Itália, o time inglês gastou 100 milhões de euros.

Isso se ignorarmos negócios dos mais exóticos, como as contratações de André Schurrle (22 mi), José Bosingwa (20 mi), Filipe Luís (20 mi), Paulo Ferreira (20 mi), entre outros.

Sejam ou não estes jogadores relevantes e interessantes e que, eventualmente, em um momento ou outro acabaram ajudando o Chelsea, o que nos parece certo afirmar é que tanto dinheiro poderia resultar em um nome só, de maior envergadura – Cristiano Ronaldo e Gareth Bale, por exemplo, as duas maiores contratações da história do Real Madrid, o clube mais gastador do futebol mundial, custaram 94 milhões de euros cada; o Barcelona pagou 88 mi em Neymar e 81 em Suárez.

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É importante ressaltar que o Chelsea, com as disparatadas transações acima listadas, é justamente o exemplo do que deu certo na Premier League. Alçado ao patamar de potência pelas contratações exorbitantes, o time londrino foi o último time inglês campeão europeu (2012) e conquistou, neste século, quatro dos cinco títulos nacionais da história do clube.

Potência anterior à chegada do Chelsea, o Manchester United foi o outro time da terra rainha que conseguiu protagonismo internacional neste século, com sete títulos nacionais e um continental (2008), além de ter chegado a duas finais. Do ponto de vista técnico, com a geração de Beckham primeiro e depois nos anos dominantes de Cristiano Ronaldo, a equipe gozou de hegemonia interna e se tornou relevante no cenário mundial. No entanto, desde a partida do português e da aposentadoria de Ferguson, o time entrou no patamar dos demais com contratações estranhas, inexpressivas e caríssimas.

A prudência pede cautela na análise de jovens que ainda podem vingar, como Memphis Depay, Anthony Martial e Luke Shaw, grupo de teens escolhidos por Van Gaal para garantir o futuro dos Red Devils. No entanto, é assombroso pensar que o valor gasto na soma das três contratações das promessas ultrapassa a casa de 120 milhões de euros. Some-se a isso, a malfadada transação de Di Maria (75 milhões) e a aquisição dos medianos Ander Herrera (36 mi), Morgan Schneiderlin (35 mi) e Marouane Fellaini (32 mi) e temos um despejo de recursos que pode significar qualquer coisa, menos organização e planejamento – noções que quase sempre acompanham as impressões vendidas nestas bandas dos dirigentes estrangeiros.

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O outro clube inglês que venceu a Champions League neste século, o Liverpool, tem uma trajetória distinta dos dois exemplos acima citados. Diferente de Chelsea e Manchester United, sua conquista europeia teve muito pouco a ver com o resultado de uma hegemonia interna. Pelo contrário, o time de Gerrard que venceu o Milan na lendária final de 2005 era imperfeito e repleto de deficiências – uma geração, aliás, que jamais venceu a Premier League.

Time de tradição e recursos, a equipe de Anfield deve ser o exemplo mais contundente de dinheiro mal gasto em terras inglesas neste século: Benteke (46 mi), Lazar Markovic (25 mi), Roberto Firmino (41 mi), Adam Lallana (31 mi), Dejan Lovren (25 mi), Mario Balotelli decadente (20 mi), Alberto Moreno (18 mi), entre outros que compõem uma lista de doer os olhos, sobretudo quando pensamos que a soma de seus valores já ultrapassa o recebido pelas negociações de Suárez e Sterling – vendidos por, respectivamente, 81 e 62 milhões, após terem atuado de maneira absolutamente fantástica e dominante no comando de ataque do Liverpool.

Última grande potência inglesa antes da era de Manchester United e Chelsea, o Arsenal tem uma trajetória distinta dos endinheirados rivais. Remando contra a maré, suas duas maiores contratações nos últimos tempos foram substantivas, de nomes já experimentados e consolidados: do Real Madrid veio Mesut Ozil (50 mi de euros) e do Barcelona, Alexis Sánchez (42 mi). De resto, Arsene Wenger utilizou seu ótimo conhecimento da liga francesa e alemã, bem como seu incomparável staff de olheiros, para encorpar o time com atletas de bom nível e que custaram um preço menor do que os rivais pagaram por nomes do mesmo patamar. Pensemos, por exemplo, nos preços de Giroud (12 mi), Koscielny (12 mi), Gervinho (12 mi), Sagna (9 mi), Van Persie (4,5 mi), Walcott (10 mi), Metersacker (11 mi), Nasri (16 mi), Podolski (12 mi), Fabregas (3 mi), entre outros.

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O problema é que embora a estratégia esteja sendo bem-sucedida no sentido de continuar a manter o Arsenal entre as potências inglesas, os principais atletas que deveriam liderar a equipe como fizeram os craques no começo do século não têm aparecido nos momentos decisivos. Além disso, o sucesso em garimpar talentos e colocá-los no grande palco do futebol mundial só faz sentido se o time conseguir mantê-los, o que não tem acontecido. O império do Barcelona só se sustenta porque ele consegue manter os acertos e corrigir os erros. Imagine a força do Arsenal se tivesse conseguido manter os grandes acertos como Fabregas, Van Persie, Vermaelen, Nasri, Kolo Touré, Ashley Cole, Gael Clichy, Adebayor, entre outros nomes que saíram da equipe quando ainda eram jogadores de alto nível.

Desde 2008, o Arsenal não disputa o campeonato inglês com chances reais de títulos até as últimas rodadas e desde 2006, quando foi vice-campeão da UCL, o time londrino decepciona quando chega no grande palco europeu. Nesta temporada, com a instabilidade rondando todas as equipes da Inglaterra, Wenger voltou a flertar com a liderança e com o protagonismo. No entanto, o campeonato demanda fôlego, coisa que todos os times que o Arsenal montou desde a lendária geração de Vieira, Pires e Henry, jamais mostrou.

Seguindo um modelo similar ao do Chelsea no início do século, quando foi comprado por Abramovich, o Manchester City conseguiu se meter no grupo de clubes poderosos ingleses com ao despejar montantes inacreditáveis de dinheiro e criar um excepcional elenco após ser incorporado a um multimilionário complexo empresarial árabe ligado aos sheiks dos Emirados Árabes – que tem como figura mais ilustre Mansour bin Zayed Al Nahyan.

Soccer - Barclays Premier League - Manchester City v Liverpool - City of Manchester Stadium

Ao visitarmos a lista de contratações da equipe para a montagem do elenco, é difícil encontrar alguma coerência estratégica. O esforço milionário não segue um padrão muito claro, despejando dinheiro inadvertidamente, tentando fortalecer o elenco ou tapar buracos nesta ou naquela posição. Os erros mais absurdos têm o selo brasileiro: que tal um time ter gasto cerca de 83 milhões de euros (pouco menos do que o Barcelona pagou por Neymar) no quarteto Robinho (30 mi), Fernandinho (28 mi), Jô (17 mi) e Elano (8 mi)? Uma contratação mais recente ainda se faz difícil de acreditar: Nicolás Otamendi, do Valência, foi adquirido para atender o pedido de Pellegrini por impensáveis 31 milhões de euros.

No entanto, nem tudo foram erros. O melhor jogador do City, Yaya Touré, chegou em 2011 por um preço interessante, 21 milhões de euros pagos ao Barcelona, que via no jogador uma peça interessante, mas não fundamental. Um ano depois, chegaria Sergio Aguero, um dos ídolos da torcida, por 31 milhões – montante significativo, mas justo, dentro de um cenário como temos aqui analisado. David Silva (20 mi), Samir Nasri (19 mi), James Milner (15 mi), Javi Garcia (14 mi), Jesús Navas (14 mi), Matija Nastasic (10 mi), Gareth Barry (9 mi), Shay Given (9 mi), Vincent Kompany (5 mi), Gael Clichy (5 mi) e Martín Demichellis (3 mi) são outros exemplos que compuseram o inquestionavelmente bem-sucedido projeto.

Desde 2011, o Manchester City termina o campeonato entre os três primeiros tendo sido campeão em 2012 e em 2014.O time hoje atrai a atenção da mídia internacional e dos fãs de futebol e pouca gente discordará que se trata de uma potência relevante de nossos tempos. Se é verdade que no cenário continental, o time tem uma trajetória recente das mais modestas – o que não é exclusividade dele, mas de todos os clubes da Premier League – dentro do país o time sinaliza a possibilidade real de mais anos de domínio.

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Na última janela de transferências, o time contratou dois dos jovens mais promissores e de carreira relativamente consolidadas do futebol mundial – negociações que se tornaram as mais caras da história do clube – Kevin De Bruyne (51 milhões de euros) e Rasheem Sterling (43 mi). Além disso, o clube parece estar convencido de que precisa de uma estrela de primeira grandeza e, por isso, constantemente assedia –inclusive com propostas formais – os três melhores jogadores do mundo: Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar. O passo decisivo, porém, para se tornar um clube do nível de Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique – as três potências que dominam o futebol mundial desta era – pode vir com a contratação do lendário treinador Pepe Guardiola, que já avisou que não continua na Alemanha . Trata-se de uma contratação magnânima – tamanho, que, aliás, obscurece a ingratidão com Pellegrini, um comandante exemplar.

É curioso que a Premier League tenha se tornado o campeonato mais relevante do mundo com seus protagonistas cometendo tantos erros de investimento. É até irônico notar que apesar de tanto dinheiro que virou fumaça, o campeonato conseguiu se tornar tão interessante. A ironia dá a volta em torno do próprio eixo se pensarmos num duplo movimento: ao mesmo tempo em que foi justamente o fracasso das principais forças em consolidar seus próprios projetos de Dinastia torrando os recursos ilimitados que o crescimento da Premier League possibilitou que deixaram pra trás os clubes ingleses perante os poderosos espanhóis e a potência germânica, foi esse amontoado de erros coletivos que sustentaram o equilíbrio que marca a competição. Se apenas um dos cinco times mais poderosos – ou outros eventuais ascendentes – conseguisse estruturar um projeto mais sólido, menos acidentado, mantendo os acertos, atraindo estrelas de primeira grandeza, pavimentando caminho para os jovens ‘achados’, criando um ambiente vencedor com comandantes de alto nível por um tempo maior, é possível que este se torne também o Bayern de Munique da Premier League.

O que sustenta o equilíbrio na liga inglesa são os erros de montagem de elenco e a dificuldade em estabelecer bons sistemas para a evolução técnica e tática dos jogadores incorporados ao elenco – seja através das contratações ou pela promoção e garimpagem. Ainda que muito se discuta em relação à divisão mais equilibrada dos direitos de transmissão da Premier League – uma estrutura que permite que clubes modestos como Cardiff, Hull City e Sunderland tenham mais recursos que forças históricas como Porto e Lazio – o fato é que há uma divisão gigantesca entre os 433 milhões de euros anuais que o Manchester United arrecada e os 180 milhões do Tottenham – a sexta força técnica e financeira da liga. Aliás, a arrecadação do City (346 mi) e Chelsea (324 mi), que são as duas forças que estão atrás do United, devem ser problematizadas justamente porque não são elas que garantem a capacidade de investimento das duas equipes. Seus milionários e seus tipos de práticas de investimento tem particularidades que não seguem, objetivamente, os balanços de uma empresa que busca objetivamente o lucro.

Neste século, um tempo em que a Premier League se tornou indiscutivelmente a liga nacional mais relevante da Europa, das 15 edições da Uefa Champions League, em apenas três ocasiões o clube vencedor foi inglês – um dado inquestionável. A soma fica menos tenebrosa quando lembramos que Chelsea e Liverpool ainda trazem um vice-campeonato cada, e o Manchester United dois. De qualquer maneira, é muito pouco para a quantidade de dinheiro que escorreu naquelas bandas.

As análises recentes têm justificado o fracasso no fato de que a Premier League seria uma competição que exige mais dos clubes – seu equilíbrio, dizem, não permite respiros, com constantes jogos decisivos que certamente desgastam os elencos, treinadores e projetos. Em parte, parece verdade. No entanto, reitero o que venho tentando defender nestas linhas: seu equilíbrio é fruto de más escolhas nas montagens de elencos, bem como na falta de uma boa estrutura que permita a montagem de esquadrões que se comparem às três maiores forças europeias.

Os coadjuvantes ingleses, que também cometeram suas loucuras financeiras nos últimos tempos se esbaldando com a quantidade absurda de dinheiro pingando também não produziram grandes esquadrões para suas ambições. Prova disso é que, quando medem suas forças contra os coadjuvantes dos outros países do continente, também produzem resultados particularmente frustrantes. Nenhuma das forças menores da liga conquistou a Uefa Europa League (apenas Chelsea e Liverpool conquistaram o campeonato no período – uma vez cada). Middlesbrough em 2006 e Fulham em 2010 chegaram às finais, mas caíram perante os espanhóis: respectivamente o Sevilha e o Atlético de Madrid. O Sevilha venceria a competição outras três vezes, o Alético de Madrid mais uma e o Valência também uma – o que sinaliza a força do campeonato espanhol para além de Real Madrid e Barcelona.

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Nestes mesmos quinze anos de UCL, o Barcelona e o Real Madrid já conquistaram três títulos cada. O Bayern de Munique chegou a quatro finais, vencendo duas. Os italianos, que perderam significativamente seu protagonismo e sua capacidade de atrair as melhores estrelas do futebol mundial na virada do século, igualam-se aos ingleses com três títulos: duas com o Milan e uma com a Juventus. Completa a lista o exótico título do Porto de 2004 na improvável final contra o Mônaco.

O campeonato espanhol poderia ser tão equilibrado quanto o inglês, caso Barcelona e Real Madrid não fossem tão poderosos. O desequilíbrio de La Liga é resultado da excelência destes dois times, e não da fraqueza dos demais. Pelo orçamento, pela tradição, pela capacidade de atração do interesse dos craques, as duas potências espanholas têm obrigação de serem muito mais fortes que todos os outros – missão que cumprem com louvor. São os erros – e não os acertos – de Manchester United, Manchester City, Chelsea, Arsenal e Liverpool que permitem que a Premier League não tenha uma superpotência e se destaque pelo equilíbrio.

Melancolia

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Kobe, Kobe Bryant.

Mas que fim melancólico.

Não teve nada de poético, que tristeza.

Da auto-proclamada Mamba, que aprendemos a odiar, não restou nada.

Cheguei a me emocionar com aquela carta, publicada de madrugada, uns anos atrás, após a séria lesão que interromperia o que restava de sua carreira.

Ontem, caindo aos pedaços, soltou mais algumas palavras. Comoveram alguns. Não este aqui, anti-Kobe, anti-Laker, desde que escolheu torcer para os mais fracos.

Os temíveis Lakers. O temido Kobe.

Black Mamba.

Aos príncipes, como se sabe, Maquiavel aconselhou que coisa boa mesmo era ser temido e amado. Mas que se fosse pra escolher um dos dois, o medo era sentimento mais útil a se gerar.

O problema de Kobe é que, quando acabou o temor, não restou nada.